terça-feira, agosto 03, 2010

Resenha: Madame Bovary (Gustave Flaubert)

 Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo romance, pois levou seu autor a julgamento.

 Flaubert foi levado aos tribunais, onde utilizou a famosa frase "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu) para se defender das acusações. Acusado de ofensa à moral e à religião, num processo contra o autor e também contra Laurent Pichat, diretor da revista Revue de Paris, em que a história foi publicada pela primeira vez, em episódios e com alguns pequenos cortes.



 Sinopse:
 O romance conta a história de Emma, uma mulher sonhadora pequeno-burguesa, criada no campo, que aprendeu a ver a vida através da literatura sentimental. Bonita e requintada para os padrões provincianos, casa-se com Charles, um médico interiorano tão apaixonado pela esposa quanto entediante. Nem mesmo o nascimento da filha dá alegria ao indissolúvel casamento ao qual a protagonista se sente presa.




 O livro (desta edição da capa acima) possue três partes, a primeira com nove capítulos, a segunda com quinze e a terceira com onze. Como se trata de um clássico, existem várias capas/edições, mas a que eu comentarei é a da imagem acima.

  Apesar da sinopse colocada a cima, onde diz que o livro conta a história de "Emma", no meu ponto de vista, o livro conta a história do marido dela, Charles Bovary, pois conta a história dele desde antes se formar até sua morte, logo, ele é o foco principal do livro.

 A História é ótima, se formos comparar com a época em que foi lançada. Mas confesso que achei bem chatinha, esta edição (não sei as outras), contém termos indecifráveis (aos poucos vou postando aqui como vocabulário), mas, se eu tenho alguma coisa a dizer sobre a Emma, é que ela é uma vaca.

 Pensem comigo, ela casa com o Charles achando que está apaixonada por ele, no fim, ela descobre que não está, então, resolve trair o marido com diversos homens, usa e abusa de uma procuração em que ela pode fazer empréstimos no nome dele (até tenta liquidar - mas cá entre nós - não se liquida nada pedindo grana pra amantes) e o deixa com sua filha pequenina (que nada tem a ver com a infelicidade que ela sente) na rua da amargura e no fim ela se mata. Ela é ou não é uma louca? E o Charles coitado, um idiota mesmo. Sem mais.

 A passagem que mais gostei no livro foi a seguinte:
 "...paixão considerada como um grande pássaro de plumagem rósea planando no esplendor dos céus poéticos."
  Final do Capítulo VI (Parte I)


Esse livro é considerado por alguns autores como a primeira obra de literatura realista. Não é atoa, afinal, o livro é muito bem escrito e com detalhes que da uma maior verossimilhança na história.

  Acho que a cena clássica do livro é onde a Emma está dentro de uma espécie de carruagem (cabriolé? não recordo o nome agora) junto com Leon, e andam nela durante várias horas passando por diversas ruas (é citada o nome delas, pois o condutor para e o Leon manda seguir), ambos,  fazendo sabe-se o que lá dentro.

 O Livro é bem grande (levou cinco anos para ser concluído), no fim do livro tem um pequeno resumo sobre a vida e obra do autor, nela cita que é Flaubert é bem perfeccionista com as palavras (veja o trecho acima que citei), se percebe, pois o livro tem várias referências históricas (nesta edição, tem explicações marcadas como observação no rodapé da página), dentre outras coisas.

 O livro teve tamanha repercursão, que foram feitas duas adaptações cinematográficas sobre ele, a primeira é de 1949 e a segunda é de 1991.


  Poster do filme "Madame Bovary" de 1949.

 Assisti esse filme, porém, não me agradou muito, pois há varios cortes (censura?) nele e a famosa cena no cabriolé nem foi mostrada e outras cenas foram contadas de forma diferente, mas não deixa de ser interessante, já que conta o julgamento do Flaubert logo no inicio do filme, e ele próprio narra a história em alguns momentos para que o júri entenda o livro e se sensibilise com Emma, e enfim ele diz a famosa frase: "Emma Bovary sou eu".






Poster do Filme "Madame Bovary" de 1991.

 Esta otura adapatação, eu também assisti, e gostei mais do que a da primeira, pois mostrou todas as cenas (inclusive a do cabriolé!) e tudo foi contado assim como no livro. Foi a que mais se aproximou, e acho que o autor iria preferir essa segunda, apesar de tudo.






 Bom, depois de tudo o que disse, não retiro o que foi escrito sobre Emma Bovary, ela ainda é uma vaca, revoltante, não é atoa que o autor foi levado a julgamento (e absolvido), que mulher cometeria tal atrocidade com um homem que a ama acima de tudo? Enfim, nos dias de hoje, não boto mais as minhas mãos no fogo por ninguém.

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